Prêmio para todos!
 
Nome: Marli da Penha Bigato (338 acessos)
Idade: 44 anos
Cidade: Ribeirão Preto/SP
 
A final do concurso de redação aconteceu próximo da realização da 9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, a segunda maior feira a céu aberto do Brasil. Ribeirinho foi à Feira com seus professores e também com seus pais, nos finais de semana. E lá presenciou um evento que o impressionou muito.

No primeiro domingo da Feira, enquanto esperavam para assistir a um show no Theatro Pedro II, Ribeirinho apreciava as pessoas declamando poesias em frente ao teatro. Podiam ler poemas seus ou de escritores famosos. Então, um senhor muito simples aproximou-se com um livro de Mário Quintana. Ele disse que achava tudo aquilo muito importante, que não tinha “muita leitura”, mas que tentaria ler um poema. Ele realmente tentou. Mas tropeçou tanto nas palavras que acabou por desistir. Antes de sair, porém, ainda repetiu que achava “aquilo” tudo muito importante e pediu para quem soubesse ler que fizesse uso do espaço. O episódio não saiu da cabeça de Ribeirinho por vários dias. Pensou que ele e todas as pessoas alfabetizadas não têm noção de como é a vida sem o domínio da leitura. Pensou também que para melhorar a vida em sua cidade precisariam desenvolver algum trabalho que permitisse às pessoas pelo menos subir em um tablado e ler um poema.

No domingo seguinte, foi com sua mãe a um Salão de Idéias com o poeta Thiago de Mello, mediado pelo jornalista e escritor de sua cidade Galeno Amorim. Ele não conhecia o poeta, mas sua mãe lhe falou de seus textos e de sua importância na literatura brasileira. Ribeirinho ficou encantado com a fluência daquele senhor com mais de 80 anos. Sua mãe explicou que essa habilidade é típica de quem lê muito. Ribeirinho lembrou-se novamente do homem que tentou ler o poema e não conseguiu. Houve um momento em que o poeta homenageou sua professora alfabetizadora, que desenvolveu um trabalho voluntário de leitura com sua turma quando ele tinha apenas nove anos. O projeto acontecia aos sábados e, no início, poucos apareceram. Com o tempo, outras crianças aderiram e, com essa idéia simples, ela formou leitores. Ao ouvir isso, Ribeirinho pensou:

__ Puxa! Ela tentou formar leitores e formou poetas. Que legal!

À noite, sonhou que estava com 17 anos, em frente ao Theatro Pedro II, durante a 17ª Feira do Livro de Ribeirão. De repente, aquele mesmo senhor surgiu. E leu não apenas um, mas vários poemas com uma desenvoltura incrível. No sonho, isso não o surpreendeu porque, também no sonho, como consequência da Feira do Livro, havia projetos permanentes de formação de leitores por toda a cidade. Ao acordar, conversou com sua mãe, que era professora. A mãe comoveu-se com sua generosidade e prometeu começar algum projeto de leitura. Mas explicou que, no início, seria algo pequeno, que depois se expandiria. E foi assim que nasceu, na garagem de sua casa, um projeto de leitura e produção de textos com as crianças da vizinhança. A idéia chamou a atenção de pessoas ligadas à cultura. Surgiram patrocínios e, como sua mãe previu, o projeto cresceu.

A Secretaria Municipal de Educação formava monitores para o projeto e participantes dele também se tornavam monitores.

Pessoas de diversas idades aprenderam mais do que ler textos: aprenderam a ler o mundo e tornaram-se conscientes de suas responsabilidades sociais. Muitas delas idealizaram outros projetos para seus bairros. Espalharam-se pela cidade centros culturais e esportivos E nesses centros havia também reuniões com psicólogos e terapeutas que contribuíram para que os moradores se tornassem pessoas conscientes de seu potencial. E surgiram idéias para solucionar os diversos problemas urbanos. Perceberam que, melhorando seus bairros, o resultado seria uma cidade com mais qualidade de vida para todos.

No bicentenário da Independência do Brasil, ainda haverá muito a fazer. Mas, aos poucos, os cidadãos foram se apoderando do real significado da palavra independência. Ribeirinho estava mais otimista sobre cidade de que desfrutariam seus filhos.




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