| Nome: Luciana Montagnana da Silva |
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É engraçado que dias atrás, por volta das onze horas da manhã, voltando da faculdade, me defrontei com uma situação, por sinal agradável, ao entrar em meu bairro: passando por uma avenida que fica dentro de uma favela, deparei com uma galinha atravessando a rua com seus pintinhos. No canteiro central, alguns porcos, e bem gordinhos, e, logo à frente, um bando de cabritos cruzavam a frente de meu carro.
Por um momento, me senti na zona rural. Mas, esta impressão durou pouco, pois logo a realidade da urbanização surgiu à minha frente: jovens e adolescentes, à beira da calçada, traziam por entre seus dedos algumas notas de dinheiro e um saquinho, desses de “bolão” ou “chup chup”, com algumas pedrinhas dentro.
Sabe que tipo de pedrinhas estou falando? Pois é, o crack! Na outra mão, alguns pacotinhos diferentes. Alguns carros se aproximavam e formavam fila, beirando a calçada - um caminhão, uma moto, e a droga era comercializada ali, na frente de qualquer um, inclusive crianças, com a maior naturalidade, em plena luz do dia, como um mercado de ambulante.
No meio da rua, alguns pré-adolescentes empinavam suas bicicletas, cruzando a frente dos carros, afrontando, como se fossem donos do pedaço. Diante desta cena chocante, passei a pensar como seriam os próximos anos, e como eu gostaria que fossem. Tenho três filhos pré-adolescentes e tenho medo do futuro que os espera. No dia seguinte, ao entrar em meu serviço, recebi o livro e logo comecei a ler, e vi que ali estava a chance de eu divulgar minhas idéias e contribuir para construção de um futuro melhor.
Eu sonho que a minha cidade em 2022, hoje conhecida como “Califórnia Brasileira”, seja uma cidade de paz e harmonia, um lugar onde velhos e crianças possam andar pelas calçadas sem medos, com espaços próprios para serem criados animais, de forma a não comprometerem a segurança do trânsito.
Uma cidade organizada, de forma que as autoridades estejam prontas para defender seus cidadãos, dar segurança às nossas crianças e não permitir que as mesmas sejam aliciadas por traficantes e marginais. Não existiriam favelas, as casas seriam de alvenaria, mesmo que modestas, mas de forma a dar um abrigo decente às famílias mais carentes.
Todas as crianças teriam direito à creche, ensino fundamental e ensino médio, podendo crescer com dignidade e tendo, assim, capacidade de transformar ainda mais o nosso futuro.
Os bairros teriam um espaço onde seriam oferecidas atividades físicas para preencher o tempo ocioso da criançada e adolescentes, bibliotecas que promoveriam eventos e atividades que motivassem a comunidade a partipar do mundo encantado da leitura, novos ou velhos, alfabetizados ou não.
Teríamos voluntários que contariam as histórias para aqueles que não puderem ler, promovendo o primeiro contato do indivíduo com o mundo encantado dos livros, tornando a leitura como parte de seu dia dia, permitindo que cada um vivencie uma história, uma fantasia ou uma viagem mágica. Construiríamos oficinas onde daríamos a oportunidade de cada um escrever um livro, ou até mesmo a sua própria história.
Enfim, em 2022 minha cidade seria mais bela, mais culta, mais colorida e feliz. Seria uma cidade encantada onde a comunidade, juntamente com órgãos políticos da educação e cultura, estaria trabalhando – todos juntos – para um futuro melhor.
E que todas as idéias colocadas em prática conseguissem ultrapassar os limites do município e encantar outras cidades, o estado e até mesmo todo o país. Com todos juntos, cada um fazendo a sua parte, mesmo que seja só participando das atividades propostas, poderemos construir uma nova realidade para 2022. |